Circuito cearense “Barracons” estreia no Maranhão, com oficinas e espetáculos gratuitos

SÃO LUÍS – Seis dias de programação gratuita, com oficinas, rodas de conversa, intervenções artísticas e espetáculos voltados para crianças, adolescentes e adultos. Assim será a circulação do coletivo “No Barraco da Constância tem!”, de Fortaleza (CE), pelo Maranhão, com a temporada de “Barracons: circulação em residência e compartilhamento”, com diversas ações nos municípios de São Luís e Alcântara, que tiveram início nesta segunda-feira 31 de março e seguem até o dia 7 de abril – com produção executiva da Flutuante (CE) e incentivo da Política Nacional das Artes – Bolsa Funarte 2024.

Após passar pelas cidades de Juazeiro do Norte e Crato, ambas no interior do Ceará, e também em Recife e Olinda, em Pernambuco, o circuito chega em terras maranhenses na terceira e última etapa do projeto, com a proposta de apresentar ao público infanto-juvenil, mas também aos adultos, diversas atividades artístico-culturais, que convidem todos a interagir sobre as novas possibilidades do brincar, do dançar e, ainda, do fazer artístico.

As ações de “Barracons: circulação em residência e compartilhamento” começaram nesta segunda-feira, com a apresentação gratuita da intervenção artística “Malsãs e Delirantes”, na Praça Valdelino Cécio, no Centro Histórico de São Luís (em frente ao Chão SLZ).

Nesta terça, dia 1º de abril, a peça terá novas sessões – desta vez, no município de Alcântara, na Praça Largo do Rosário, na Rua do Cemitério (Alcântara/MA), às 17h; e na Praça da Matriz, na Rua das Mercês, nº 526, a partir das 18h.

Com classificação indicativa livre e aberto a todos os públicos, “Malsãs e Delirantes” é uma intervenção artística que se apresenta como uma dobra sobre si mesmo, onde se desdobra o tempo em êxtase tremulante. Durante sua exibição, forças invisíveis evocam novas geometrias das ruínas de um brinquedo, fazendo da cidade um campo de festa.

Programação

Ao longo de seis dias de programação, a temporada de “Barracons: circulação em residência e compartilhamento” contará com outras ações, como: a apresentação do espetáculo “Mystura Tropykal”; da oficina coreográfica de composição “Brinquedos para Inventar Jogando”; da oficina de dança e movimento com crianças “Jogos para Inventar Brincando”; e a roda de conversa “Redes de articulação da Dança no Nordeste”.

O circuito conta com produção executiva de Juliana Tavares, da Flutuante Criação, Formação e Produção Cultural. Honório Félix e William Pereira Monte são os realizadores da intervenção artística “Malsãs e Delirantes” e do espetáculo “Mystura Tropykal” – neste último, juntamente com Ariel Volkova.

A programação conta, ainda, com diversos artistas convidados na residência artística, como Dinho Araújo (Maranhão), Elilson (Pernambuco), Érica Zíngano (Ceará), Isadora Ravena (Ceará) e Vitor Cozilos (Ceará).

Para mais informações, acesse o Instagram do coletivo “No barraco da Constância tem!”, no link: https://www.instagram.com/barracons/.

 

Serviço

O quê: temporada maranhense do circuito “Barracons: circulação em residência e compartilhamento”;

Quando: entre os dias 31 de março e 7 de abril;

Onde: em São Luís e Alcântara;

Entrada: gratuita e aberta a todos os públicos;

Pesquisa da Rede de Observatórios diz que uma pessoa negra foi morta pela polícia a cada 4 horas em oito estados do país no ano passado.

De 3.171 registros de morte analisados pelos pesquisadores que participaram do estudo ‘Pele Alvo: a bala não erra o negro’ que tinham a cor declarada, os pretos eram 2.770 pessoas, ou 87,35% dos mortos.

Um estudo divulgado nesta quinta-feira (16) mostra que 1 pessoa negra foi morta por intervenção policial a cada 4 horas em 8 estados do país no ano passado. A pesquisa é da Rede de Observatórios, com base em dados divulgados pelas secretarias de segurança pública por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

De 3.171 registros de morte analisados pelos pesquisadores que participaram do estudo “Pele Alvo: a bala não erra o negro” que tinham a cor declarada, os pretos eram 2.770 pessoas, ou 87,35%.

A subnotificação da informação racial dos mortos por intervenção policial chamou a atenção dos pesquisadores. Das 4.219 ocorrências vistas por eles, 1 em cada 4 não tinha a informação sobre cor.

“É necessário tomar a letalidade de pessoas negras causada por policiais como uma questão política e social. As mortes em ação também trazem prejuízos às próprias corporações que as produzem. Precisamos alocar recursos que garantam uma política pública que efetivamente traga segurança para toda a população”, afirmou a cientista social Silvia Ramos, coordenadora da Rede de Observatórios.

Bahia e Rio de Janeiro lideram

Os estados pesquisados foram Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo, onde a Rede de Observatórios tem escritórios.

De todos, a Bahia lidera o número de mortes de pessoas de pele negra, com 1.121. O estado assumiu a liderança do ranking de morte de negros por intervenção do Estado entre 2021 e 2022.

A maioria dos mortos, 74,21% deles, tinha idade entre 18 e 29 anos. Apenas a cidade de Salvador teve a morte de 438 pessoas nestas condições, sendo 394 negras.

Outro dado sobre a Bahia que chamou a atenção é as mortes como fruto da violência policial, que cresceram 300% entre 2015 e 2022.

Quem tinha a maior incidência deste tipo de crime contra negros e caiu para o segundo lugar desde então é o Rio de Janeiro, com 1.042 mortos. Juntos, os dois estados são responsáveis por 66,23% dos óbitos do estudo.

Proporção da população negra e de mortes de pessoas negras decorrentes de intervenção do Estado em 2022

Fonte: IBGE, secretarias de segurança e Rede de Observatórios

Ruan do Nascimento morreu após ser atingido por um tiro de fuzil depois de sair de casa para cortar cabelo em uma barbearia perto de onde morava, na Barreira do Vasco, na Zona Norte do Rio. Ele tinha deficiência intelectual.

A mãe de Ruan, a camareira Bianca Alves Limão, contou que policiais militares entraram atirando na Rua Ricardo Machado pouco antes do jovem de 27 anos ser atingido. 

“Somos negros, pobres e moradores de comunidade. A polícia vem aqui e faz o que faz achando que todos nós somos bandidos, traficantes. Infelizmente, temos que aguentar e pedir a Deus para não ser morto pela polícia. O meu filho foi morto por quem deveria nos proteger”, disse Bianca.

Ruan do Nascimento, de 27 anos, baleado na Barreira do Vasco — Foto: Reprodução Redes Sociais

São Paulo

O estudo mostra que, no Estado de São Paulo, houve uma redução de 48,32% no número de mortes: foram 867 vítimas em 2021 e 419 no ano passado. Destas, 63,90% são negras.

Os pesquisadores atribuem uma queda tão grande a uma política de redução da letalidade aliada ao uso de câmeras corporais.

A capital paulista representa 37,47% do total de casos, com 157 mortes. Santos é a segunda cidade com o maior número de casos, com 16 vítimas.

Subnotificação

A pesquisa da Rede de Observatórios destaca que a letalidade da população negra em casos de violência policial pode ser maior do que a divulgada por conta da subnotificação e pela falta de detalhes sobre raça que de acordo com os estudiosos, acontece principalmente em três estados: Maranhão, Ceará e Pará.

De acordo com o estudo, o Maranhão não inclui esses dados pelo menos desde 2020. No Ceará, os registros foram feitos em apenas 30,26% do total. No Pará, em 33,75%.

No Ceará, ficou constatado que em 69,74% das 152 mortes não foram identificadas informações sobre cor. Nos casos que tinham o dado, 80,43% das mortes foram de pessoas negras e sete de cada dez vítimas tinham entre 18 e 29 anos.

No Pará, a informação sobre raça foi omitida em 66,24% das vítimas. Mas, entre os casos em que é identificada, as pessoas negras representam 93,90% das mortes por intervenção policial.

A capital, Belém, tem o maior número de mortes por intervenção policial, com 83 casos, seguida pela cidade de Parauapebas, com 41.

Vítimas jovens

Em Pernambuco, dos 87 homicídios por intervenção policial foram registrados. Todos os mortos em Recife no ano passado eram negros. A idade chamou a atenção dos pesquisadores pois, 67,03% das vítimas no estado tinham idade entre 12 e 29 anos.

No Piauí, Teresina teve mais da metade das mortes por ação de policiais no estado. EM todo o território piauiense foram 39 mortes analisadas pelo estudo e 22 delas (56,41%) na capital.

No total das mortes, 88,24% eram negras.

(Com informações do portal G1)