Juscelino Filho decide pedir demissão do Ministério das Comunicações

O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, decidiu pedir demissão após a PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciá-lo ao STF (Supremo Tribunal Federal) sob a acusação de corrupção passiva e outros crimes quando ele ainda era deputado.

Nesta terça-feira (8) a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o ministro Juscelino Filho (Comunicações) por suspeita de desvio de emendas parlamentares no período em que era deputado federal. A acusação foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que vai decidir se torna o ministro réu. Em nota, Juscelino afirmou que é inocente e que confia na Corte para rejeitar a denúncia.

É a primeira denúncia apresentada pela PGR contra um integrante do primeiro escalão da gestão Lula neste mandato. O relator do caso no STF é o ministro Flávio Dino, que foi colega de Juscelino na Esplanada quando ocupou a pasta da Justiça. A denúncia está sob sigilo.

Juscelino foi indiciado em junho do ano passado pela Polícia Federal pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Avaliação de aliados

Entre os aliados do governo existe uma avaliação de que uma eventual denúncia poderia forçar Lula a demiti-lo para evitar mais um foco de desgaste. Em declarações em 2024, o petista defendeu o direito de o auxiliar “provar que é inocente”, mas disse que ele perderia o cargo caso as investigações avançassem.

Nota

Em nota, a defesa de Juscelino disse que não foi notificada da denúncia, que, caso confirmada, será um “indício perigoso de estarmos voltando à época punitivista do Brasil”.

“De toda forma, o ministro reafirma sua total inocência e destaca que o oferecimento de uma denúncia não implica em culpa, nem pode servir de instrumento para o MP pautar o país. O julgamento cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF), em quem Juscelino Filho confia que rejeitará a peça acusatória diante da sua manifesta ausência de provas”, completa a nota.

Juscelino disse ainda que, na condição de deputado federal, “limitou-se a indicar emendas parlamentares para custear a realização de obras em benefício da população”. O texto diz também que “os processos de licitação, execução e fiscalização dessas obras são de competência exclusiva do Poder Executivo, não sendo responsabilidade do parlamentar que indicou os recursos”.

Por que PGR denunciou Juscelino Filho?

O inquérito trata de suspeitas de desvio de emendas parlamentares para pavimentação de ruas de Vitorino Freire, no interior do Maranhão. A cidade era comandada por sua irmã, Luanna Rezende, que chegou a ser afastada do cargo no curso das apurações, mas retomou o mandato após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). É a primeira vez que um integrante do primeiro escalão do atual mandato de Luiz Inácio Lula da Silva é indiciado. Em nota quando foi indiciado, o ministro negou irregularidades e apontou “ação política” da corporação.

Ele criticou a investigação e afirmou que “apenas indicou emendas parlamentares para custear obras”. “A licitação, realização e fiscalização dessas obras são de responsabilidade do Poder Executivo e dos demais órgãos competentes”, diz a nota. Segundo ele, a “investigação revira fatos antigos e que sequer são de minha responsabilidade enquanto parlamentar”. “O indiciamento é uma ação política e previsível, que parte de uma apuração que distorceu premissas, ignorou fatos e sequer ouviu a defesa sobre o escopo do inquérito”, completa.

Deputada Daniella denuncia ataques pessoais e violência psicológica

Deputada Daniella foi à tribuna, na sessão plenária desta terça-feira, denunciar violência psicológica

A deputada Daniella (DEM) utilizou a tribuna, na sessão plenária desta terça-feira (15), para denunciar que está sendo vítima de ataques pessoais e de violência psicológica por parte do ex-marido.

“Eu não me preparei para passar por tudo o que eu tenho passado. Vou continuar buscando o meu propósito, principalmente agora, por tudo o que eu estou vivendo, que é defender todas as mulheres maranhenses. Ao me defender, acredito que eu estou sendo voz de muitas mulheres vítimas de violência psicológica como eu tenho sofrido nos últimos dias”, afirmou.

A parlamentar mencionou que decidiu se pronunciar em respeito à filha, de 10 anos, após a publicação de inúmeras notícias sobre o fim de seu casamento e de questionamento sobre sua integridade. 

Daniella assegurou que, a partir de agora, usará a tribuna para denunciar os ataques e, assim, encorajar outras mulheres a romperem o silêncio. “Eu tenho certeza de que a minha dor, hoje, não é uma dor só minha. Tenho certeza de que muitas mulheres vivem essa dor. Eu sei que os ataques vão continuar, mas, agora, eu não vou mais silenciar”, finalizou.

Solidariedade

Em aparte, o deputado Wellington do Curso (PSDB) solidarizou-se com o discurso da parlamentar. “O rompimento do silêncio, na manhã de hoje, conta com nosso apoio incondicional ao seu mandato e à senhora como mulher. Que outras mulheres, neste momento, possam se sentir representadas e capazes de também romper o silêncio diante da angústia e do medo”.

O deputado Duarte Júnior (PSB) enfatizou a importância do pronunciamento na tribuna sobre uma situação tão pertinente à vida das mulheres. “Os maranhenses lhe conhecem como uma mulher forte e você merece receber todo o acolhimento que for necessário dentro e fora desta Casa. Essas causas merecem toda essa visibilidade e lhe parabenizo pela coragem”.