Planalto vê ‘desrespeito’ se União Brasil recusar Ministério das Comunicações e ameaça ceder pasta a outro partido

Possibilidade de líder do partido desistir da pasta foi vista também como uma trapalhada pelo governo

O deputado Pedro Lucas Fernandes, líder do União Brasil na Câmara — Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A possibilidade do líder do União Brasil, Pedro Lucas Fernandes (MA), recusar o Ministério das Comunicações foi classificada como “desrespeitosa” pelo Palácio do Planalto. Integrantes do governo também entendem que o episódio pode levar o partido a perder espaço na Esplanada. Para auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o União Brasil cometeu uma “trapalhada” por ter aceitado o convite após a saída de Juscelino Filho e agora cogitar declinar.

Caso a recusa se confirme, há um entendimento também que o Ministério das Comunicações poderia ser usado para acomodar outros que reivindicam mais espaço no governo. A bancada do PSD na Câmara, por exemplo, está insatisfeita com a Pesca, que tem André de Paula no comando, e gostaria de assumir uma pasta maior. 

Pedro Lucas disse a aliados que ainda não definiu sua ida ao Ministério das Comunicações. O líder terá nesta terça-feira uma reunião com o presidente da sigla, Antônio Rueda, para discutir eu futuro.

O principal impasse está na definição de um novo líder para a bancada na Câmara. O mais cotado até o momento era justamente Juscelino, que possui o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O nome do ex-ministro, contudo, sofre resistência dentro do partido. De acordo com parlamentares próximos a Pedro Lucas, o parlamentar não quer deixar a liderança na Câmara até que o cenário esteja pacificado. Na conversa com Rueda, ambos tentarão avaliar um nome de consenso para assumir o posto de líder. Caso esse nome seja encontrado, Pedro Lucas assumirá o ministério.

Auxiliares de Lula afirmam que Pedro Lucas aceitou o convite do presidente em conversa com o petista em 8 de abril no Palácio da Alvorada. Porém, esses interlocutores afirmam que o deputado chegou a dizer ao presidente que só poderia assumir o ministério se conseguisse fazer um sucessor do seu grupo na liderança do União Brasil na Câmara. Alegou que sem isso, não conseguiria entregar ao governo a maioria dos votos da bancada, que já é dividida em relação ao apoio a Lula.

Ao sair dessa conversa no Alvorada, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse publicamente que Pedro Lucas havia aceitado o cargo, mas que havia pedido um período para assumir:

— O União apresentou nome do Pedro Lucas. O presidente aceitou e fez o convite ao líder para assumir. O Pedro Lucas só pediu até depois da Páscoa para assumir o ministério para encaminhar questões pessoais, de mandato e liderança — disse Gleisi. 

No último sábado, a ideia de Juscelino Filho assumir a liderança da Câmara opõe Alcolumbre a Rueda. O senador vem acumulando divergências com outros integrantes da cúpula do União Brasil a respeito da participação do partido no governo Lula e dos rumos que a legenda deve tomar na eleição de 2026.

Tanto Rueda como o primeiro-vice do União, ACM Neto, defendem uma postura mais distante do governo. Deputados dizem que não faria sentido Juscelino ser afastado do governo, mas ocupar lugar de destaque na liderança. No lugar de Juscelino Filho, há quem defenda o nome de Moses Rodrigues (CE) para a liderança do partido na Câmara.

(Com informações de O Globo)

Governo Lula anuncia Pedro Lucas como novo ministro das Comunicações

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, anunciou nesta 5ª feira (10.abr.2025) que Pedro Lucas (União Brasil-MA), 45 anos, será o novo ministro das Comunicações. O deputado assume a vaga de Juscelino Filho (União Brasil-MA), que pediu demissão do cargo na 3ª feira (8.abr) depois de ser denunciado por corrupção pela PGR (Procuradoria Geral da República). Em acordo com o governo, Pedro Lucas assumirá o cargo depois da Páscoa. Ele pediu esse tempo para poder acertar sua saída da liderança do União Brasil na Câmara. No período, o ministério fica a cargo da secretária-executiva das Comunicações, Sônia Faustino Mendes.

“O Pedro Lucas só pediu até depois da Páscoa para assumir o ministério porque tem que encaminhar algumas questões pessoais, enfim, de mandato e também em relação à liderança da bancada”, afirmou a ministra.

A decisão comunicada por Gleisi saiu de uma reunião na tarde desta 5ª feira (10.abr) no Palácio da Alvorada, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Juscelino Filho e o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Futuro do União

Sobre o futuro do União Brasil na Câmara, a ministra firmou que o governo não se meterá no debate sobre quem deve ser o novo líder da sigla. A legenda tem aliados e opositores do governo e há o risco de alguém desse 2º grupo assumir a liderança.

“O governo não vai se meter numa discussão da designação da liderança. O União Brasil tem que fazer essa discussão e designar o seu líder”, disse.