O pedido da CBF ainda será analisado pelo ministro Flávio Dino, relator da Reclamação Constitucional
Intervenção na FMF é contestada pela CBF (Divulgação Assessoria)
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enviou manifestação ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a anulação da decisão da Justiça do Maranhão que afastou os dirigentes da Federação Maranhense de Futebol (FMF) e nomeou Susan Lucena Rodrigues como administradora provisória.
No documento, a CBF argumenta que a medida viola a autonomia das entidades esportivas, garantida pela Constituição Federal e pela Lei Geral do Esporte, e pede que o STF reconheça sua prerrogativa de indicar o interventor responsável por conduzir o processo de reorganização da federação.
CBF contesta decisão judicial que modificou administração na FMF
A entidade sustenta que possui mecanismos internos de controle previstos em seu estatuto e que já realizou intervenções semelhantes em outras federações, como as de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O nome indicado pela CBF para assumir a função no Maranhão é Milton Dantas, atual presidente da Federação Sergipana de Futebol.
O texto cita decisões anteriores do próprio STF — como a ADI 7.580, relatada por Gilmar Mendes — para reforçar que o Estado não pode intervir em assuntos internos de federações esportivas. A confederação também alerta que a manutenção da intervenção judicial pode gerar sanções da FIFA e da Conmebol ao futebol brasileiro.
O pedido da CBF ainda será analisado pelo ministro Flávio Dino, relator da Reclamação Constitucional nº 85.536/MA.
Mais antigo na instituição, empresário dono de conglomerado midiático atuou nas gestões de Ricardo Teixeira a Rogério Caboclo na entidade.
A decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) de afastar Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF, nesta quinta-feira, também faz o vice Fernando Sarney, de 70 anos, assumir o cargo para ser o interventor que realizará as eleições para um novo nome na presidência. Membro do Comitê Executivo da Fifa, ele ocupará o cargo por ser o mais antigo da instituição.
Filho do ex-presidente da República José Sarney e proprietário do Sistema Mirante de Comunicação — conglomerado de emissoras de rádio e televisão no Maranhão —, o empresário nascido em São Luis do Maranhão atuou nos bastidores da CBF durante diferentes gestões.
Ele está na entidade desde 1998 e é vice-presidente desde 2004. Sarney também atuou nas administrações de Ricardo Teixeira (presidente de 1989 a 2012), José Maria Marin (de 2012 a 2015) e Marco Polo Del Nero (2015). Quando o escândalo de corrupção que terminou com a prisão de Marín explodiu, Del Nero pediu desligamento como representante da Conmebol no Comitê Executivo de Fifa e indicou Sarney para o cargo.
Em 2021, o empresário já havia tido a oportunidade de assumir a presidência da CBF, quando Rogério Caboclo, sucessor de Del Nero, foi afastado. No entanto, ele recusou a oportunidade.
Ele tem dois irmãos, Roseana Sarney e José Sarney Filho, ambos políticos, assim como o pai. Conhecido nos bastidores, em 2022 ele ficou mais exposto por uma fala na Copa do Mundo, ao dizer que torceria para a seleção argentina após a desclassificação do Brasil.
— A América do Sul tem que manter a unidade. Na hora da decisão, todos somos Argentina. Eu pessoalmente torço para a Argentina na decisão do Mundial, tomara que ela chegue à final e que traga esse título para a América do Sul — disse o então vice-presidente da CBF, que representava a entidade em um evento, organizado pela Conmebol, em Doha, no Catar.
Afastamento de Ednaldo
De acordo com fontes ouvidas pelo blog do Diogo Dantas (O Globo), a argumentação para a decisão do TJ-RJ considera como mais antigo no cargo os vices da época do presidente Rogério Caboclo, já que, para a Justiça, a eleição de Ednaldo foi anulada. Se fosse com base no vice-presidente mais velho, Rubens Lopes, da Federação de Futebol do Rio, assumiria a presidência, aos 79 anos.
A decisão do juiz prevê que Sarney “realize a eleição para os cargos diretivos da CBF, na qualidade de interventor, o mais rápido possível, obedecendo-se os prazos estatutários, ficando a seu cargo, até a posse da diretoria eleita, os poderes inerentes à administração da instituição”, como diz o estatuto da entidade.
“Depois de tanto tempo, com idas e vindas, negociações, alinhamentos políticos e desalinhamentos políticos, admito que soa bastante lógico colocar a responsabilidade pela realização do pleito eleitoral da CBF nas mãos de um dos seus Vice-Presidentes, ainda mais sendo ele o mais antigo na instituição, consoante esclarece o site da entidade”, afirma o juiz.