Marcelo Tas anuncia saída do CQC

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O jornalista Marcelo Tas anunciou, nesta madrugada, em seu blog e em seu perfil no Facebook que deixará o “CQC” no final do ano. Há sete anos na emissora para criar o programa, que estreou em 2008 inovando ao misturar jornalismo e humor, o apresentador já havia sinalizado na estreia da atual temporada que seu período à frente da atração estava chegando ao fim.

A Band apenas confirma a saída de Tas, mas não anunciou quem substituirá o jornalista, mas há rumores de nomes como Rafinha Bastos. Em sua coluna, Patrícia Kogut informa que também está no páreo Dan Stulbach e que a volta de Rafael Cortez é certa, bem como a permanência de Marco Luque por mais um ano.

A emissora confirma que Tas vai desenvolver um novo projeto na Band, mas a grade de 2015 ainda está em planejamento. Procurado pelo GLOBO, Tas disse que prefere não se pronunciar neste momento e que ainda é cedo para falar de novos projetos.

VEJA A ÍNTEGRA DO TEXTO DE MARCELO TAS:

“Esta semana, completo sete anos no CQC. Cheguei à Band em novembro de 2007 para ajudar a preparar a estreia do programa no Brasil para Março de 2008. Escrevo na madrugada de terça-feira. Acabo de chegar em casa, depois da transmissão ao vivo do programa. Hoje foi um dia e uma noite muito especiais. Tive uma conversa franca e tranquila com meus colegas e com a direção da Band. Desde o final do ano passado, estou amadurecendo uma decisão que divido agora com vocês: vou deixar o CQC no final do ano.

Foi um árduo e longo processo para chegar até as profundezas do óbvio: há hora para tudo, inclusive para iniciar e encerrar uma jornada. Estou com o coração quente e a alma leve. Aquecido pela emoção porque o CQC significa muito para mim, não foi uma decisão fácil. De alma leve pelo sentimento de dever cumprido. Tenho a consciência de ter oferecido alguma contribuição para o projeto que revelou talentos e virou referência para o humor e o telejornalismo brasileiros.

Me sinto sortudo demais por conviver com gente tão talentosa com quem aprendi a reinventar a minha própria trajetória na TV. Quero abraçar e reconhecer a Band, que teve a ousadia de botar essa bagaça fumegante no ar e depois acolher minha decisão e propor novos horizontes.

Envio minha imensa gratidão a você, telespectador e telespectadora da nova era da Comunicação, como a Carolina, da montagem acima, que me alimentam todos os dias com carinhos e puxões de orelha mega sinceros. A jornada ainda não acabou. Até o último programa do ano, estarei no CQC com todo o meu coração, alegria e penteado.”

Aécio Neves volta ao Congresso para reforçar oposição

12h03bvw10_47ixolqkpg_fileDepois de uma breve temporada recluso na fazenda de sua família em Cláudio, no interior de Minas Gerais, o senador Aécio Neves, candidato derrotado do PSDB ao Palácio do Planalto e presidente nacional da sigla, desembarca nesta terça-feira (4) em Brasília com uma agenda preparada sob medida para apresentá-lo como líder e porta-voz da oposição à presidente reeleita Dilma Rousseff (PT).

O tucano planeja fazer entre e hoje e amanhã um pronunciamento incisivo no Senado no qual, segundo seus aliados, criticará o governo, sem mencionar uma conciliação nacional. Aécio rejeitará, porém, a tese de pedir o impeachment da presidente.

Este foi mote de uma série de manifestações em capitais brasileiras realizadas no fim de semana. Na manhã de quarta-feira, Aécio tentará transformar a primeira reunião da direção executiva do PSDB depois da eleição em uma demonstração de força e unidade partidária em torno de seu nome.

O deputado federal Bruno Araújo (PSDB), presidente do PSDB pernambucano e membro da direção executiva nacional da legenda, afirmou que “será mais que uma reunião, mas um ato político para marcar a volta de um senador que recebeu 51 milhões de votos”.

— Será também a primeira demonstração de que ele encarna a partir de agora o papel de maior líder da oposição nacional.

Além da cúpula partidária, foram convidados para o ato, que acontecerá em um auditório para 300 pessoas no Senado, deputados eleitos e derrotados, governadores e senadores.

Governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin não estará presente. Ele pediu a Aécio que realizasse outro evento no fim de semana, apenas com governadores aliados.

Apesar da tentativa de demonstrar unidade e de encher seu retorno de simbolismos, o papel do senador mineiro no cenário nacional é relativizado por setores expressivos do partido.

Senador reeleito Alvaro Dias (PSDB-PR) disse que espera “que ele dê resposta ao que se colheu das ruas, mas não dependemos do discurso de apenas um”.

— Precisamos de mais gente na linha de frente da oposição.

Para o ex-governador paulista Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB, Aécio é o nome “mais expressivo” do partido nacionalmente, mas seu discurso representará uma “expressão individual”.

— A fala dele ainda não será resultado de uma avaliação coletiva.

Em seu retorno, o senador terá que administrar a primeira crise interna da legenda. Setores do PSDB e integrantes da executiva reclamam que não foram ouvidos sobre a decisão da sigla de pedir ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma auditoria do processo eleitoral.

Reservadamente, tucanos classificam a iniciativa como um “tiro no pé” que serviu apenas para dar munição aos petistas que acusam o PSDB de pedir um “3º turno”. Diante do fato consumado, Aécio deve defender a ideia, mas com a ressalva de que reconhece a derrota.

Esses mesmos tucanos também rechaçam a proposta de se pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff e criticam as manifestações em defesa da volta da ditadura militar.

Prefeito Edivaldo anuncia novo presidente da Func e reforça parceria com o PT

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Foto: Mauricio Alexandre

O prefeito Edivaldo anunciou na tarde desta terça-feira (04) o novo presidente da Fundação Municipal de Cultura (Func). Carlos Marlon de Sousa Botão substitui o professor Francisco Gonçalves, que assumirá a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular a convite do governador eleito Flávio Dino. O encontro foi marcado pela presença de membros do Partido dos Trabalhadores (PT), que reforçaram o apoio político à gestão do prefeito Edivaldo.

Ao comunicar a mudança em sua equipe de governo, o prefeito destacou as conquistas obtidas durante a gestão de Francisco Gonçalves no órgão. “Com muita seriedade e competência, Francisco Gonçalves garantiu à Func avanços importantes para a consolidação da política de cultura do município de São Luís. A elaboração do Plano Municipal de Cultura, por exemplo, é resultado de um desses trabalhos aos quais Marlon Botão dará continuidade”, afirmou.

O anúncio do novo presidente da Func reforça a aliança política firmada com o Partido dos Trabalhadores e fortalece as ações desenvolvidas na cultura. Para Francisco Gonçalves, a parceria com o PT é importante para a continuidade das políticas de cultura do governo. “Avançamos de uma agenda de cultura para uma política de cultura. A consolidação da aliança com o PT é fundamental para a promoção da mudança no Maranhão, pois resulta em um novo alinhamento político entre o Município, o Estado e a União”, declarou.

Marlon Botão destacou o bom trabalho que vem sendo desenvolvido na Fundação. “Agradeço a confiança do prefeito Edivaldo ao me dar a responsabilidade de estar à frente dessa importante ferramenta da gestão, que é a Fundação Municipal de Cultura. Afirmo que me dedicarei a dar prosseguimento às ações, contribuindo com a continuidade das políticas para que muito mais possa ser realizado pela sociedade”, disse Botão.

O presidente do Diretório Municipal do PT, Fernando Magalhães, e o deputado estadual eleito, Zé Inácio (PT), apoiaram a indicação de Marlon à presidência da Func e atestaram sua competência. “Estou satisfeito com o trabalho que vem sendo realizado pelo prefeito Edivaldo e tenho certeza que o Marlon com sua competência contribuirá muito com a gestão”, afirmou Fernando Magalhães. “Venho prestigiar este momento e reforçar meu apoio ao companheiro Marlon, que assume essa importante missão. Sinalizo ao prefeito e ao novo presidente da Func o meu apoio para o desenvolvimento deste trabalho”, reforçou o deputado eleito Zé Inácio (PT).

O presidente o PCdoB, Márcio Jerry, destacou o trabalho desenvolvido por Francisco Gonçalves, o perfil de Marlon Botão e a importância da parceria política e administrativa. “A união entre os partidos é fundamental, pois reforça o movimento que vem sendo realizado nacionalmente. A aliança política é imprescindível para a realização do conjunto de ações que vêm sendo desenvolvidas pelo município. O cenário político é favorável já que apresenta uma sintonia entre os entes federados, que leva à unidade no campo político”, afirmou.

Também estiveram na reunião o secretário municipal de Comunicação, Robson Paz, e o assessor de comunicação do Instituto Federal do Maranhão, Cláudio Moraes, representando o reitor da instituição, Roberto Brandão, entre outros membros do Partido dos Trabalhadores.

PERFIL

Graduado em Comunicação Social e especialista em Comunicação Organizacional pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Carlos Marlon de Sousa Botão foi secretário de Comunicação do município de Coroatá e tem larga experiência em Assessoria de Comunicação, tendo atuado como Chefe da Assessoria de Comunicação do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), consultor de comunicação e marketing da Prefeitura de Santa Luzia do Paruá. Também desenvolveu a função de assessor de comunicação no Sindicato dos Servidores Públicos do Maranhão e no Sindicato dos Ferroviários dos Estados do Maranhão, Pará e Tocantins.

Flávio Dino elenca políticas sociais prioritárias para o Maranhão

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Posição foi defendida pelo governador eleito durante entrevista na Folha/Uol

Durante entrevista no programa Poder e Política, da Folha e do UOL, divulgada na manhã desta terça-feira (04), o governador eleito Flávio Dino elencou as políticas sociais prioritárias a serem implantadas a partir de 1º de janeiro de 2015. Para ele, garantir o cumprimento do princípio da legalidade e a geração de oportunidades são medidas urgentes para mudar a realidade social do Estado.

Além de implantar as propostas apresentadas aos maranhenses em seu Programa de Governo, Flávio Dino lembra a importância do enfrentamento à corrupção e ao patrimonialismo. Para tanto, garante que uma medida preventiva para combater esse problema é a criação da Secretaria de Transparência e Combate à Corrupção.

“Em primeiro lugar, firmar o primado da transparência. Nós criamos uma secretaria da transparência e controle, vamos aperfeiçoar o portal da transparência, garantir o pleno cumprimento da Lei de Acesso à Informação, são medidas práticas que demonstram o nosso total compromisso com as ações preventivas em relação ao mau uso do dinheiro público”, reforçou o governador eleito.

Entre as medidas iniciais para garantir a transformação social que propõe, Flávio Dino cita um conjunto de políticas sociais que serão implementadas. Entre elas, políticas habitacionais e de investimentos em setores como saneamento básico, abastecimento de água e educação, saúde e segurança.

Cumprir a Lei

Sobre auditorias no governo, Flávio Dino confirmou que manterá uma postura de cumprimento da lei. “Vamos fazer as auditorias que a lei determinar”, disse ao explicar que cada secretário vai avaliar a situação da sua pasta, havendo indício da existência de contratos irregulares e fantasmas serão feitas auditorias e responsabilizações, de modo que não sejam esquecidas situações que lesaram o patrimônio dos maranhenses.

Entre as medidas primeiras ele confirma: “Em primeiro lugar superação do quadro de corrupção, tirar o Maranhão das páginas policiais, e, em segundo lugar, garantir esse conjunto de políticas sociais e de políticas públicas”, concluiu.

Prefeitura retira publicidade irregular em fachadas do Centro Histórico

unnamedA Prefeitura de São Luís intensificou, na manhã desta terça-feira (4), a operação para retirada de engenhos publicitários dispostos de forma irregular nas fachadas dos estabelecimentos comerciais do Centro Histórico. A operação cumpre ordem judicial expedida pela Justiça Federal, que determinou à Prefeitura um prazo de 60 dias para fazer a retirada da publicidade irregular nesse setor.

A ação foi realizada através da Blitz Urbana, órgão vinculado à Secretaria de Urbanismo e Habitação (Semurh), com apoio da Fundação Municipal de Patrimônio Histórico (Fumph). Segundo o presidente da Fumph, Aquiles Andrade, a ação visa preservar a caracterização original dos prédios seculares que compõem o conjunto arquitetônico e paisagístico de São Luís, tombado por decreto federal.

Outro foco da ação é o combate à poluição visual no Centro Histórico. De acordo com a coordenadora de Engenhos Publicitários da Blitz Urbana, Tânia Barros, foram notificados 454 estabelecimentos que mantinham nas suas fachadas engenhos fora dos padrões exigidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão que disciplina a prática nas áreas históricas da cidade.

“As notificações desses estabelecimentos tiveram início ainda no ano passado, quando foi concedido o tempo legal para que os comerciantes procedessem com a regularização de suas fachadas publicitárias. E agora estamos cumprindo a ordem de retirada nos estabelecimentos que não se adequaram às exigências, por determinação da Justiça Federal”, esclareceu Tânia Barros.

Entre os materiais retirados durante esta terça-feira estão placas, letreiros, faixas, banners, cartazes, armações, hastes, entre outras modalidades de inadequações. Essa operação foi iniciada no fim do mês passado pela Rua Grande e alcançará todas as ruas do Centro Histórico.

 

SAIBA MAIS

As normas estabelecidas pelas Diretrizes de Engenhos Publicitários no Centro Histórico de São Luís determinam que para a instalação de qualquer engenho publicitário, o proprietário ou responsável pelo imóvel encaminhe proposta para análise e aprovação do Iphan-MA, que fica localizado na Rua do Giz, no 235, no Centro.

Entre outras exigências, as diretrizes de disciplinamento publicitário no Centro Histórico determinam que a exibição de engenhos publicitários será permitida apenas no nível do pavimento térreo da edificação e dentro das medidas estabelecidas pelos órgãos competentes, jamais na cobertura da edificação.

Também é proibida a exibição de mais de um engenho por fachada de edificação. Exige-se ainda que quando a fachada do imóvel for revestida de azulejos, o engenho publicitário só seja fixado ao cunhal ou cadeias, caso o revestimento seja de pintura sobre reboco. Conforme a regulação em vigor, as empenas de imóveis vizinhos a imóveis recuados não poderão servir de suporte para qualquer tipo de engenho publicitário, bem como os muros dos imóveis recuados.

Prefeitura convoca 1.400 sorteados do Minha Casa, Minha Vida para regularizar documentação

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A Prefeitura de São Luís convoca 1.400 sorteados no programa Minha Casa Minha Vida, participantes do primeiro e segundo sorteios, para regularização de documentação. O prazo para atualizar as informações segue até o dia 28 de fevereiro. A lista com o nome dos convocados está disponível no portal da Prefeitura (www.saoluis.ma.gov.br). O processo é coordenado pelas secretarias da Criança e Assistência Social (Semcas) e de Urbanismo e Habitação (Semurh).

Os convocados devem comparecer à Central de Atendimento Social, órgão vinculado à Semcas, no São Francisco, das 8h às 16h, portando todos os documentos pessoais e de seus dependentes. Com a regularização cadastral, os sorteados serão encaminhados para os novos empreendimentos já em construção (Santo Antônio I e II, Vila Maranhão, Amendoeira e Luís Bacelar).

O secretário de Urbanismo e Habitação, Diogo Lima, destaca que a entrega de novas unidades habitacionais segue em ritmo acelerado, como determinação do prefeito Edivaldo Holanda Júnior para oferecer qualidade de vida à população de baixa renda. “Em dezembro, fizemos a contratação de construção de 12 mil novas unidades, ou seja, em um mês conseguimos mais avanços na habitação do que a gestão passada realizou em quatro anos”, enfatiza.

Os convocados foram sorteados em 2011 e 2012, mas apresentaram seus documentos de forma irregular. “É importante que todos compareçam para que façamos a adequação da base para o próximo sorteio e possamos regularizar a situação de todos. Temos muitos novos empreendimentos para entregar ainda este ano para a população da nossa cidade”, explica a coordenadora do Programa Minha Casa Minha Vida em São Luís, Rosimar Buna.

Relação de convocados. 

Veja: A vitória da Barbárie no Maranhão

Como o desgoverno de anos resultou nos horrores dos últimos dias, desde os bandidos degolados na penitenciária até a menina Ana Clara, de 6 anos, que morreu queimada, vítima de ataque criminoso a um ônibus urbano.

A vida da menina Ana Clara Santos Souza nunca deveria ter cruzado a de W.T.F., o bandido conhecido como Porca Preta, que aparece na foto abaixo empunhando um revólver. Aos 6 anos de idade, Ana Clara se preparava para ir à escola pela primeira vez. Adorava vestir-se de princesa e andar de bicicleta. Tinha acabado de dispensar as rodinhas da sua, e por esse motivo andava muito orgulhosa. Era um universo sem ponto de contato com o mundo sinistro habitado por Porca Preta. O bandido, de 17 anos, é um dos membros do Bonde dos 40, a sanguinária facção criminosa que disputa o mercado de drogas de São Luís e domina parte das cadeias do Maranhão à base de métodos que incluem a decapitação de adversários e o estupro de suas mulheres. O que fez com que Ana Clara e Porca Preta se encontrassem no último dia 3 não foi o azar, mas uma combinação de duas tragédias: a situação nacionalmente calamitosa das prisões brasileiras e a gestão particularmente funesta do problema pelo governo do Maranhão, onde o descaso, o apadrinhamento e o descontrole elevaram o horror a uma escala nunca vista.

Parte desse horror transbordou na semana retrasada para uma rua da periferia da capital maranhense. Da prisão de Pedrinhas, partiu a ordem para que bandidos atacassem ônibus em circulação na cidade em represália à entrada da Polícia Militar na cadeia depois de mais uma rebelião sangrenta. Um dos alvos escolhidos foi o carro em que haviam embarcado Ana Clara, sua mãe, Juliane Souza, e a irmã de 1 ano, Lorane. Porca Preta foi o encarregado de render o motorista, enquanto seus comparsas espalhavam gasolina no interior do veículo. Juliane, internada em estado grave, contou à mãe o que houve em seguida. Segundo disse, ela e as filhas já estavam na porta de entrada quando alguém riscou um fósforo e o ônibus explodiu em chamas. As três foram atingidas. Juliane atirou-se sobre a caçula e, com as costas e os braços queimando, rastejou com ela por baixo da roleta em direção à porta de trás. Achava que a filha mais velha a seguia. Ana Clara, no entanto, havia se desgarrado e permaneceu na parte da frente, onde as chamas ardiam altas. Com 95% do corpo queimado, ela ainda conseguiu sair do carro. São excruciantes as imagens feitas pelas câmeras de segurança do ônibus, que mostram a menina perambulando em choque, sozinha, com o corpo em chamas. Ana Clara morreu na última segunda-feira.

“O Maranhão vai muito bem”, disse três dias depois a governadora do estado, Roseana Sarney, em entrevista coletiva. “Um dos problemas que estão piorando a segurança é que o estado está mais rico, o que aumenta o número de habitantes.” A entrevista girou em torno da série de motins no Complexo de Pedrinhas, que deu origem ao ataque ao ônibus em que viajava Ana Clara e, em 2013, resultou em sessenta presos mortos, ao menos cinco degolados. Roseana disse ainda que o que houve em Pedrinhas foi “inexplicável”.

A governadora conseguiu errar em cheio em todas as declarações. Primeiro, o Maranhão, estado que sua família governa há cinco décadas, não vai nada bem. Tem o segundo pior índice de analfabetismo do Brasil e a pior renda per capita. Seu IDH só perde para o de Alagoas, e a mortalidade infantil é a segunda maior do país. Depois, o que aconteceu em Pedrinhas está longe de ser inexplicável.

A administração do complexo, como a de todas as prisões do estado, foi terceirizada para duas empresas – uma delas pertence a um velho apaniguado dos Sarney: Luís Cantanhede Fernandes. Sócio de Jorge Murad, marido da governadora, ele foi o homem que, em 2002, saiu em socorro da então candidata à Presidência Roseana depois que a Polícia Federal encontrou 1,3 milhão de reais em dinheiro vivo no escritório da Lunus, consultoria dela e de Murad. Na tentativa de livrar do naufrágio a candidatura de Roseana, Cantanhede assinou às pressas um contrato fajuto de empréstimo para justificar a origem da dinheirama. No ano passado, sua empresa, a Atlântica Segurança – juntamente com a VTI, de Fortaleza -, recebeu 71 milhões de reais para cuidar das cadeias do Maranhão. Nenhuma das duas tinha experiência no ramo.

A decisão de contratar empresas como essas para cuidar de um setor tão explosivo não chega a surpreender, tendo partido de uma governante cuja família há tanto tempo se dedica a cuidar com desvelo de assuntos de seu próprio interesse e de seus amigos. O que escandaliza no episódio é o fato de esses contratos terem sido mantidos mesmo diante dos resultados colhidos. O inferno de Pedrinhas supera com folga tudo o que já se viu no trágico cenário das cadeias brasileiras.

TUDO E MAIS UM POUCO - Nada do que existe no Complexo de Pedrinhas é estranho ao sistema penitenciário brasileiro, mas lá tudo é exacerbado: as instalações são imundas e tomadas por lixo e ratos, o despreparo e a corrupção entre os agentes podem ser medidos pela dimensão dos arsenais encontrados a cada revista mais rigorosa o domínio de facções criminosas que disputam o controle do tráfico resulta frequentemente em batalhas sangrentas. A última, em 17 de dezembro, terminou com três presos decapitados e torturados

Na semana passada, a reportagem de VEJA percorreu cinco das oito unidades do complexo – com capacidade para 1 500 presos e população de 2  700. Nas celas de 6 metros quadrados espre­mem-se até dez homens, obrigados a disputar espaço com os ratos, atraídos pelos detritos acumulados em pilhas por todo canto. No pátio de uma das cadeias do complexo, o esgoto a céu aberto se mistura a montes de entulho e mato crescido. Algumas paredes dão a impressão de que poderiam ser derrubadas com um chute, de tão decrépitas.

Mas a parte das instalações em Pedrinhas ainda é melhor do que a de segurança. Os monitores encarregados de revistar os presos e administrar as visitas têm treinamento de uma semana e salário de 900 reais, menos de um terço do que ganham os agentes penitenciários do estado. Para aferir a eficiência do modelo, basta olhar a foto do arsenal apreendido em uma recente invasão da polícia: mais de 300 facas, facões e canivetes, além de munição para pistolas. Celulares circulam abertamente, e a cantina do complexo – que vende até cerveja – está sob o controle dos detentos. Os líderes das duas facções reinantes – o Primeiro Comando do Maranhão e o Bonde dos 40 – decidem quem vive e quem morre dentro da cadeia. E morre-se muito lá. No fim da matança mais recente, em 17 de dezembro, os presos se encarregaram de produzir e divulgar imagens estarrecedoras.

Um dos vídeos mostrava corpos sobre o chão cobertos de ferimentos e sem alguns pedaços da pele. Três deles tiveram a cabeça cortada e elas foram colocadas lado a lado. Em uma das fotos que constam de trechos inéditos do relatório feito pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao qual a reportagem de VEJA teve acesso, um detento separa do corpo uma cabeça decapitada e a segura pelos cabelos, como um troféu. Em outra, dois homens chutam essa mesma cabeça de um lado para o outro, como se estivessem jogando futebol. O relatório inclui ainda a foto de pedaços de um corpo encontrado no lixo de Pedrinhas e dispostos sobre a bancada do Instituto Médico-Legal de São Luís – mais uma provável vítima do método conhecido em Pedrinhas como “picadinho”, destinado a fazer “desaparecer” corpos.

O acirramento das disputas entre as facções maranhenses e o banho de sangue que ele produziu no interior das penitenciárias não pegaram de surpresa o governo de Roseana Sarney. Inquéritos policiais instaurados em 2008 já indicavam alguns dos horrores em curso nos presídios. Em 2010, o CNJ fez a Roseana uma série de recomendações para conter a violência nas cadeias. Repetiu-as, em vão, em 2011. Em 2012, o então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Ayres Britto, pediu à governadora que recebesse representantes do CNJ. Foi ignorado. Nos últimos dois anos, a Secretaria de Direitos Humanos do governo federal recebeu 157 denúncias sobre o sistema penitenciário do Maranhão, das quais 46 sobre tortura. “Inexplicável”, governadora?

Cadeias são um mal necessário. Prender bandidos tem, sim, influência direta na queda da criminalidade. Essa correlação já havia sido verificada em diversos trabalhos internacionais. No ano passado, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou um estudo feito em mais de 5 000 municípios de todos os estados brasileiros com dados de nove anos. O trabalho concluiu que, para cada elevação de 10% no número de presos, o de assassinatos diminui 0,5%, em média. Escrevem os pesquisadores: “Os resultados comprovam que prender mais bandidos e aumentar o policiamento são armas válidas para reduzir a taxa de homicídios, independentemente do que ocorra com outras variáveis socioeconômicas”.

Marlena Bergamo/Folhapressa

roseana e o ministro da justiça

Acontece que, desde o fim do século XVIII, o suplício deixou de ser uma prática aceitável. A punição aos criminosos perdeu a característica de “vingança social” para incorporar a de “reforma do indivíduo”. O objetivo passou a ser prender para evitar novos crimes e reduzir a reincidência. À luz desses conceitos, confinar o preso em jaulas onde não se deixaria um animal é, inclusive, contraproducente, como atesta um estudo recente da Itália. Ele analisou a vida em liberdade de 25 000 presos soltos em 2006 para abrandar o superlotado sistema carcerário daquele país. Os que tinham saído de presídios com uma alta taxa de mortes eram mais propensos a cometer novos crimes. Na fórmula matemática do estudo, o crescimento de 1 ponto nas mortes per capita atrás das grades aumenta em 4,2% a probabilidade de o criminoso ser pego novamente em delito. Mais do que ineficaz para os propósitos a que se destina, o tratamento degradante dos sentenciados extrapola o contrato firmado com a Justiça. Aos condenados, reserva-se a pena de reclusão, não o inferno.

LAGOSTA, DÓLARES E CAVIAR – Em meio à crise, o governo Roseana Sarney encomendou lagosta. Criticado, substituiu o pedido por caviar. A governadora (ao lado do ministro José Eduardo Cardozo) entregou a administração dos presídios do estado ao amigo e sócio da família que, em 2002, a socorreu quando a PF encontrou 1,3 milhão de reais na sede da empresa de seu marido

Para o Palácio do Planalto, o governo do Maranhão está despreparado para resolver sozinho a crise no sistema carcerário estadual. A gestão sofreria de “autismo” e de “completo distanciamento da realidade”, como teria demonstrado a licitação para compra de lagosta e outros quitutes, suspensa depois de revelada pela Folha de S.Paulo e substituída por outra… que solicita caviar e uísque escocês. Embora assessores de Dilma Rousseff digam que Roseana Sarney perdeu capital eleitoral, a presidente não pretende dispensar o apoio da governadora e de seu pai, o ex-presidente do Senado e cacique peemedebista José Sarney. Foi por isso que a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, evitou defender a intervenção federal no estado e foi por esse motivo também que, diante de tanto sangue derramado em território maranhense, Dilma limitou suas manifestações a uma lacônica mensagem postada na sexta-feira no Twitter. O texto diz que ela acompanha “com atenção a questão da segurança no Maranhão”. Ana Clara não andará mais de bicicleta, não se vestirá de novo de princesa nem irá à escola neste ano pela primeira vez. Mas é tranquilizador saber que a presidente acompanha tudo com atenção. E que o Maranhão vai muito bem, obrigado.

O profundo descaso pelos direitos humanos nos presídios do Maranhão

De O Globo

A organização internacional Associação para a Prevenção da Tortura (APT) e a Pastoral Carcerária do Brasil divulgaram nota [ontem] condenando “o mais profundo descaso pelo princípio da dignidade humana” nos presídios do Maranhão.

De acordo com as duas entidades, é preciso que medidas concretas sejam tomadas diante da inércia dos três Poderes da República em casos de violação dos direitos humanos.

No comunicado, seis medidas são propostas, como a “federalização da apuração dos fatos, com a investigação imediata, imparcial e efetiva pelas mortes ocorridas e a devida responsabilização de seus autores” e a criação do “Mecanismo Nacional de Prevenção à Tortura”.

“As atrocidades ocorridas no Maranhão de violência extrema e brutal entre pessoas presas retratam o mais profundo descaso pelo princípio da dignidade humana por parte daqueles que detêm a responsabilidade de salvaguardar a integridade física e psíquica das pessoas sob sua custódia e velar pela segurança de seus cidadãos, dentro e fora dos presídios”, diz a nota.

De acordo com a APT e a Pastoral Carcerária do Brasil, governo federal e Ministério Público são omissos diante das atrocidades ocorridas no Maranhão.

“(As entidades) vêm a público manifestar seu repúdio às gravíssimas violações de direitos humanos ocorridas no sistema carcerário maranhense e sua grande preocupação pela ausência de medidas concretas por parte das autoridades estaduais das três esferas de Poder, inclusive do Ministério Público, e do governo federal, para evitá-las”.

Estevão Aragão na Sadem e Batista Matos na Câmara Municipal

Estev%C3%A3o-e-EdiO vereador Estevão Aragão (Solidariedade) deixe a Câmara de Vereadores de São Luís e, a convite do prefeito Edivaldo Júnior (PTC), assuma a Secretaria Municipal de Articulação e Desenvolvimento Metropolitano da prefeitura da capital.

Estevão Aragão foi eleito pelo PPS, mas recentemente trocou de legenda e por esse motivo está sendo acionado pelo ex-partido. No entanto, será um filiado do PPS, o ex-vereador Batista Matos, que assumirá a vaga de Aragão no parlamento municipal.

A estratégia do prefeito Edivaldo é simples, matar dois coelhos com uma cajadada só. A ida de Estevão Aragão para a prefeitura fortalece o espaço do Solidariedade, afinal ele é o presidente do diretório municipal e a ideia é que Batista Matos vá para o front na Câmara de Vereadores. Batista Matos deve fazer o contraponto ao Líder da Oposição no legislativo municipal, o vereador Fábio Câmara (PMDB).

A confirmação de Estevão Aragão na Secretaria Metropolitana deve acontecer ainda no mês de janeiro. Apesar de ser uma pasta pequena e desconhecida, vale destacar que por ela já passaram dois políticos que hoje se tornaram deputados estaduais, Jota Pinto (PEN) e Othelino Neto (PCdoB).

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Modificações – Além de Estevão Aragão, outros sete vereadores devem disputar as eleições deste ano e por esse motivo irão se afastar do parlamento municipal.

Os vereadores Ivaldo Rodrigues (PDT), Armando Costa (PSDC), Josué Pinheiro (PSDC) e Francisco Chaguinhas (PSB) querem trocar a Câmara de Vereadores pela Assembleia Legislativa. Já Isaías Pereirinha (PSL), Rose Sales (PCdoB) e Bispo Paulo (PRB), sonham em seguir para a Brasília, para a Câmara Federal.

(Com informações do Blog do Jorge Aragão)

Procurador-geral da República decide pedir intervenção federal no Maranhão

De O Globo

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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que estava analisando as denúncias de violação dos direitos humanos nos presídios do Maranhão, decidiu que irá pedir intervenção federal no estado, segundo autoridades que conversaram com o procurador. Nos próximos dias, Janot irá enviar o pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela decisão final. O presidente da Corte, Joaquim Barbosa, terá de relatar o processo, que depois é levado a julgamento pelo plenário do Supremo.

A ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que tomou conhecimento das atrocidades praticadas no Complexo Penitenciário de Pedrinhas em meados de dezembro passado, foi vetada pela governadora Roseana Sarney de ir ao Maranhão tratar o assunto. Hoje ela coordena reunião do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) para debater a crise de segurança no Maranhão.

Enquanto isso, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, está em São Luís, a pedido da presidente Dilma Rousseff, para tratar a permanência da Força Nacional de Segurança no complexo e a transferência de presos para unidades federais fora do Maranhão.

Em dezembro, Rodrigo Janot havia enviado ofício à governadora Roseana Sarney, pedindo informações atualizadas sobre a situação do sistema carcerário do estado. Após análise das informações e o do agravamento da crise, com mais mortes no início deste ano, Janot decidiu ser necessário pedir a intervenção federal no estado no STF.

Segundo as regras da Corte, a intervenção federal afasta temporariamente a ,autonomia do estado. O Presidente do Supremo é o relator dos pedidos de intervenção federal e, antes de levar o processo a julgamento, ele pode tomar providências que lhe pareçam adequadas para tentar resolver o problema administrativamente. Caso avalie que isso não é possível, o processo prossegue, sendo ouvida a autoridade estadual e o procurador-geral da República. Depois, o processo é levado a plenário.

Julgado procedente o pedido, o presidente do Supremo deve comunicar a decisão aos órgãos do Poder Público interessados e requisitar a intervenção ao presidente da República, que deverá, por meio de um decreto, determinar a medida. O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução, será apreciado pelo Congresso Nacional em 24 horas. Nos casos de desobediência à decisão judicial ou de representação do procurador-geral da República, essa apreciação fica dispensada.

Somente no ano passado, 50 pessoas morreram em um único presídio – o Complexo Penitenciário de Pedrinhas -, em São Luís, capital do estado. Na terça-feira passada, um conflito entre membros da mesma facção no Centro de Detenção Provisória resultou na morte de cinco presos. Três deles foram decapitados. No final do ano, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), presidido por Janot, e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), presidido pelo ministro Joaquim Barbosa, enviaram representantes aos presídios do Maranhão para realizar uma inspeção.